Qual o problema da reforma do Ensino Médio?

Afinal, qual é o problema da reforma do ensino médio?

Vamos começar explicando o que é a reforma do ensino médio e comparar com o ensino médio atual. É preciso deixar muito bem claro que esta postagem não tem intenção de discutir política, e sim, o processo de ensino e aprendizagem efetuado nas escolas.

A proposta nos diz a respeito de ampliar a carga horária nas escolas e tornar o currículo mais flexível, substituindo as atuais 13 disciplinas obrigatórias para quatro grandes áreas do conhecimento, assim como acontece no ENEM, além de uma gama de disciplinas optativas e um processo de ensino mais técnico. Esta flexibilização tornaria o aluno mais autônomo e se parece muito com o que vemos em países mais desenvolvidos.

Até agora, você pode estar pensando duas coisas diferentes:

1 – “Ótimo, um avanço na educação brasileira!”

2 – “Ahhhhhhhhhnnnn peraí, tem um negócio errado.”

Mas… vamos com calma.

Vou citar quatro pontos que comparam o ensino médio que nos acompanhou até hoje e o que está por vir, suas vantagens e desvantagem em poucas palavras e uma consideração sobre cada um deles.

Carga horária

Atualmente, empregamos a mínima de 800 horas anuais, o ensino integral não é obrigatório.

O plano propõe aumento para 1400 horas anuais, ensino integral.

  – Ótimo, o aumento da carga horária, pode ser vantajoso SE possuirmos ótimos projetos pedagógicos e bom investimento financeiro na educação.

Conteúdo

Por três anos, cursamos 13 disciplinas obrigatórias.

O plano propõe uma grade inicial idêntica para todos os alunos, mas leva a uma segmentação para aprofundamento em linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas, ensino técnico.

     – Ótimo, a grade flexibilizada realmente é um atrativo, mas a oferta será ampla e idêntica em todas as redes de escolas? Os alunos terão oportunidades ou a desigualdade será um reflexo das ruas dentro da própria escola? Tudo gira em torno da economia.

Cultura e saúde

Disciplinas como Educação Física e Artes, permaneciam obrigatórias.

O plano retira a obrigatoriedade destas disciplinas.

   – Ótimo, menos saúde e cultura para os nossos estudantes. A não ser que eles queiram (ou que a escola ofereça isso), lógico.

Economia

Até então, o governo federal possuía pequenos programas de incentivo ao ensino integral.

Com o plano, um aporte financeiro será dado por quatro anos para as escolas que introduzirem a modalidade.

   –  Ótimo, o governo que vive um momento intenso de cortes de gastos, inclusive na educação, afirma que este aporte dependerá da disponibilidade orçamentária. Ok, parece que temos um problema.

Bom pessoal, esses quatro pontos que citei mostram quatro soluções em suas propagandas, mostram quatro soluções que funcionam em outras realidades com estruturas pedagógicas, econômicas e governamentais para dar certo. Infelizmente, não é a realidade brasileira. Sem contar com a deficiência gigantesca que irá criar com os alunos que terminam o ensino fundamental sem nenhuma base para abraçar o modelo empregado de ensino médio. Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2015, as notas começam bem nos primeiros anos escolares, mas caem a cada nova série. O aluno com déficit no ensino fundamental não será abraçado pelo ensino médio.

Sempre falo do aluno ser protagonista de sua história, de seu processo de aprendizagem, mas para isso, dependemos de professores que permitam o protagonismo. O plano do novo ensino médio, traz a ótima propaganda do protagonismo do aluno, da autonomia, da flexibilidade, mas esconde uma realidade que o Brasil não tem forças para encarar e um futuro a mercê da sorte de cada um.

Precisamos de mudanças.

Mas precisamos de melhorias.

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2 comentários sobre “Qual o problema da reforma do Ensino Médio?

  1. Concordo, Pedro. Como facilitadora de aprendizagem fico me perguntando, como vai ser o processo, se nem os próprios professores e escolas não estão sendo preparados para esta nova demanda. É um processo avançado e que nas condições atuais da Educação no nosso País, teria que ser alterado passo a passo. Implantar é fácil, manter a qualidade e com propósitos reais é difícil. E, mesmo eles falando que está sendo amplamente discutido o tema, ainda não vi a base propondo alternativas chaves. A base que discute o assunto, não é aquele que está todos os dias na sala de aula vivenciando a realidade.

    Curtido por 1 pessoa

    • Cida, primeiramente seja muito bem-vinda ao blog!
      Infelizmente a educação no Brasil é um processo muito mais político do que é considerado necessário, o que torna nós (professores e facilitadores de aprendizagem) vítimas de um sistema que simplesmente não conversa conosco para aplicar tais mudanças. Ainda lutaremos por um futuro melhor, de toda forma.
      Espero te encontrar aqui mais vezes. Abraço!

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